Paciente com pinos quebrados na coluna agoniza em corredor do HGP e família exige cirurgia urgente

Um morador histórico da região do Pirajuçara vive dias de dor extrema e abandono no Hospital Geral do Pirajuçara (HGP), em Taboão da Serra. Desde o dia 2 de janeiro, ele está internado em um corredor da emergência, aguardando uma cirurgia urgente para retirada e recolocação de pinos na coluna, procedimento que envolve neurocirurgia. 

Segundo familiares, o paciente sente dores insuportáveis, permanece longos períodos sem alimentação adequada, sem banho e sem atendimento contínuo, sendo medicado com morfina apenas após cobranças diretas da família à equipe de enfermagem.

De acordo com o relato, o paciente vinha se queixando de dores intensas na coluna desde o fim do ano. No dia 29 de dezembro, procurou atendimento no Pronto Atendimento Antena, onde ortopedistas identificaram anormalidades na cirurgia realizada há seis anos no próprio HGP e o encaminharam de volta ao hospital estadual para avaliação da equipe responsável pelo procedimento. 

No entanto, ao chegar ao HGP, ele não foi atendido e recebeu alta com a orientação de retornar apenas no dia 2 de janeiro, caso a dor persistisse.

Ao retornar na data indicada, exames de tomografia revelaram a gravidade do quadro: pinos colocados na cirurgia de 2019 estavam quebrados, e um deles se encontrava alojado no nervo ciático. Diante do risco, o paciente foi internado, mas permaneceu desde então na emergência, em corredores lotados, sem leito disponível. Médicos informaram a necessidade de uma ressonância magnética para avaliação definitiva e posterior cirurgia de urgência, porém não há qualquer previsão para a realização do exame, nem para a intervenção cirúrgica.

Familiares relatam cenas de desespero. Na noite do dia 3 de janeiro, um parente encontrou o paciente em crise de dor intensa, sem que a morfina tivesse sido aplicada no horário correto. A medicação só foi administrada após intervenção direta da família. 

Em outro momento, sem espaço físico, o paciente teria sido colocado sentado na porta de um banheiro. Diante do sofrimento e do empurra-empurra de macas, ele implorou para ser levado a um local fechado, sendo colocado provisoriamente na sala dos funcionários.

A situação do paciente não é isolada. Segundo denúncias, dezenas de pessoas vivem a mesma realidade no Hospital Geral do Pirajuçara. Falta de funcionários, relatos de atrasos de pagamento, infraestrutura sucateada, superlotação, ausência de banheiros adequados e atendimento precário compõem o cenário descrito por pacientes, familiares e até profissionais da unidade.

O HGP é um hospital estadual, criado para atender principalmente a população de Taboão da Serra e Embu das Artes, mas sofre há anos com a falta de investimentos do Governo do Estado de São Paulo. O abandono progressivo da unidade tem resultado em sofrimento humano, agravamento de quadros clínicos e risco à vida de pacientes que dependem exclusivamente do SUS.

A família cobra respostas imediatas, a realização urgente da ressonância, o acesso a um neurocirurgião, especialidade adequada ao caso, e a cirurgia necessária para cessar a dor e evitar sequelas irreversíveis. Até o momento, o paciente segue sem previsão de exames, de leito e de cirurgia, jogado em um corredor, à espera de socorro.

Da Redação do Jornal na Net

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